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Os 10 Melhores Telefilmes que eu já vi:

24 24UTC outubro 24UTC 2009

Nessa semana, depois de assistir Into the Storm pela primeira vez, me dei conta de como gosto de telefilmes. Sério, é uma fixação, sempre que posso, assisto sem hesitar qualquer um que esteja passando. Bom, recordando alguns que eu vi, fiz essa lista com os melhores, mesmo que alguns sejam desconhecidos. Eis a lista:

10° Lugar: 24: Redemption

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Não sei dizer do que eu mais gostei no telefilme de 24 horas, até porque o filme nem foi tão bom assim. Mas ninguém pode dizer que não prendeu ao extremo. Jack Bauer sofreu demais nas cenas no abrigo na África, e se isso já não bastasse, uma criança mala e burra chamada Willie só atrapalhava (não me conformo até hoje que ela foi a responsável pela morte do Carl). Além disso teve Cherry Jones arrasando, Dubaku perdendo o irmão, o ativista bundão da ONU, o Jon Voight botando medo, e o fim, com Jack Bauer no avião com as criancinhas, enfim. Redemption não é um filme para ser olhado com o olhar frio, crítico, enfatisando roteiro, direção e tal, a única razão para 24: Redemption estar no meu top 10 é o puro prazer de ver Jack Bauer em perigo novamente. Só isso e já é o bastante.

9° Lugar: Bernard and Doris

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Peguei o filme de surpresa na HBO, e mesmo relutando a assistir no começo, o fim se revelou muito satisfatório. A verdade é que as atuações da Susan Sarandon (Os Últimos Passos de um Homem, Thelma & Louise) e do Ralph Fiennes (O Paciente Inglês, A Lista de Schindler) valem o filme, e a qualidade do roteiro fica um pouco aquém, chegando em algumas cenas a ser até um estilo novelão, meio Piaf – Um Hino ao Amor. Para quem não sabe do que se trata, é a história de uma milionária herdeira de uma indústria de tabaco, e sua amizade com o mordomo gay. Pela parte técnica, o figurino e a direção de arte, em geral, são ótimas, se bem que eu esperava muito mais audácia da direção do Bob Balaban. Mas o melhor do filme é que os pequenos diálogos e as situações meio desnecessárias são bem aproveitadas, e a relação dos personagens principais vai do corriqueiro para o intenso, até chegar em um dos melhores finais de telefilme que eu já vi.


8° Lugar: Into the Storm

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Então, eis que aparece o filme que me fez escrever esse post. E se você vai ver na HBO Plus, não leia agora. A primeira (e talvez única) coisa a se fazer antes de ver o filme, é ver o filme que antecedeu essa história, The Gathering Storm, E já adianto, ele não estará no fim deste post como um dos melhores. O problema do filme não é a narrativa lenta em si, mas a narrativa desnecessárias de alguns cenários e acontecimentos que fazem o filme parecer um mais um documentário do que um telefilme. Tirando isso, Albert Finney arrasa no papel de Winston Churchill, e por curiosidade, ganhou o Emmy pelo papel (Gleeson ganhou o Emmy deste ano pelo mesmo papel). Na continuação, os momentos de Churchill na 2ª guerra são brilhantes, passando do drama pesado à tensão inteligente em um estilo parecido com Damages, só que com um roteiro mais encorpado e mais desenvolvimento nos personagens. Talvez por ser centrado nos acontecimentos da 2ª guerra, a personagem da mulher de Churchill, Clemmie, não exige muito da talentosa Janet McTeer (indicada ao Oscar em 2000 por Livre para Amar), que não chega perto da atuação de Vanessa Redgrave no filme anteiror. Bom, a atuação de Brendan Gleeson é mesmo merecedora do Emmy, e um grande atrativo para esse filme denso, mas muito desafiador e com um saldo mais que satisfatório no final.

7° Lugar: Longford

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Se Into the Storm já é denso centrando se em alguns personagens aditivos (Roosevelt, Stalin, etc.), Longford vai no caminho contrário, apostando no talento de Jim Broadbent (vencedor do Oscar de ator coadjuvante pelo filme Iris em 2002, além de também ter feito The Gathering Storm) e Samantha Morton (Indicada ao Oscar por Poucas e Boas e Terra dos Sonhos). E é mostrando a relação entre um católico fervoroso e uma condenada a prisão perpétua por assassinar crianças que o filme mostra sua força, nos pequenos diálogos, na direção simples até demais, e nas atuações primorosas de Broadbent e Morton, e a densidade do filme vai aumentando exponencialmente sem você perceber, até ser pego de surpresa no final do filme e descobrir que o elo entre os dois é mais complicado de que se imagina. E a sensação, já adianto, é meio perturbadora.

6 ° Lugar: Grey Gardens

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Esse é um filme imponente, não me restam dúvidas. Ótimo elenco, ótima direção de arte, e HBO, o filme ganhou fácil o Emmy. Mas, para mim, faltou algo para o filme não ser o melhor do ano, e acho que o principal foi a frieza do roteiro que contrastou demais com a direção luxuosa (até os ratos são bonitinhos) e minimalista do Michael Sucsy, além da estonteante Jessica Lange (Oscar de melhor atriz por Tootsie e Céu Azul). Talvez o roteiro estava inclinado (erroneamente) para a personagem da Drew Barrymore, mas a verdade é que comparando o documentário original com o filme, a adaptação soou forçada a fazer o telespectador ficar horas pensando na vida, exagerando nos closes da casa abandonada, no rosto enrugado da Edith mãe, e nas expressões tristes da Edith filha. É um ótimo filme para se ver… quando se está muito feliz.

5° Lugar: Prayers for Bobby

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Esse foi para mim, o melhor telefilme do ano. Um drama que não precisa forçar a barra para fazer o público se emocionar, apenas usar a palavra certa, na cena certa, com um resultado final brilhante. A história é da mãe de Bobby Griffith, gay que se via encurralado por ter uma mãe fervorosamente religiosa, que semeava ideias preconceituosas no filho e cavou sua própria cova, já que Bobby se suicida saltando de uma ponte. A partir daí, o processo de transição da personagem é fantástica, e Sigourney Weaver (O Ano em que Vivemos em Perigo, Uma Secretária do Futuro) acompanha o ciclo com perfeição. E é quase uma ironia dizer que um filme conduzido com tão pouco sensacionalismo e tanta sutileza, cause mais comoção do que os filmes melosos e vazios que viraram febre em Hollywood.

4° Lugar: Recount

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Depois de assistir o filme, eu só conseguia pensar; “mas que gênio é Jay Roach, de quem eu nuca ouvi falar?”. OK, Jay Roach já pode ser considerado gênio depois de Recount, e qualquer coisa que ele faça já é imperdível, mas, ao olharmos mais atentamente para o cast de diretores, nos deparamos com… Sydney Pollack! Agora está explicado porque o filme é tão genial, estamos falando de um dos meus diretores/produtores prediletos de Hollywood. Agora falando do filme, como é bom ver um filme tratando os jogos políticos por baixo dos panos sem aquele amontoados de clichês ridículos, como conversas em celulares descartáveis e uma conversa grampeada em um escritório avulso, não? Pois o ritmo do filme não é nem de longe o visto no esquema de O Informante, que é ótimo, mas desencadeou uma cadeia de filmes comerciais, que muito prometem e nada cumprem. Aqui, o estilo “documentário de mentira” é um fator a mais para que a originalidade do roteiro explicar sem enrolação, nem superficialidade, o frenesi da recontagem de votos na Flórida nas eleições de 2000, que garantiram a vitória de George W. Bush sobre Al Gore. E se o roteiro já surpreende pela facilidade em impressionar, sobra tempo para a construção de personagens tão ambíguos como os donos do baile Bush e Gore. Ron Klain (o não tão genial Kevin Spacey, que nunca vai se superar depois de Beleza Americana, sorry) é do comitê democrata, de Al Gore, que faz de tudo para que a recontagem ocorra, e mesmo que o personagem não seja tão genial, Ron serve mesmo de base para os dois monstros Laura Dern (As Noites de Rose) e Tom Wilkinson (John Adams, Conduta de Risco). Dern apresenta a secretária de Estado Katherine Harris de uma forma tão perfeita, que é impossível não comprar uma vaca e se juntar ao David Lynch para pedir uma indicação dela a qualquer prêmio possível. E Wilkinson, um dos meus atores prediletos (pra mim, ele dá um coro no Hugh Jackman Jack Nicholson), o conselheiro da campanha Bush na recontagem, tem os melhores diálogos do filme, e dá o tom certo de imparcialidade que o filme precisava para não parecer inclinado (e até hoje eu não sei qual o lado do Jay Roach). E meu maior sonho é ver a cara do Bush ao ver o filme.

3° Lugar: Extras: The Extra Special Series Finale

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Considerando a perfeição que foi a série ao longo do tempo, já era de se esperar que o telefilme, preparado como series finale seria um evento a parte. E foi. E como foi. Ricky Gervais, que já é gênio por si só, ainda estava inspirado. Primeiro que mesmo que fossem 80 minutos só juntando as pontas soltas da série e preparando terreno para o final, toda a situação em si foi de um humor invencível, com as piadas dos camarins ingleses, o contrato de Andy, e ainda participações de Clive Owen, George Michael e Gordon Ramsey (com uma cena de rolar de rir). Mas mesmo que o clima era hilariante, o sentimento de despedida esteve mais explícito ainda, e quando se explora o máximo do personagem como aconteceu na última cena, é para se ter certeza de que todos os segundos da magnífica série e do magnífico filme valeram a pena.

2° Lugar: Bury My Heart at Wounded Knee

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Como eu disse anteriormente, o trabalho de um diretor em um telefilme atualmente já pode ser considerado um dos mais corajosos de sua carreira. Na carreira de Yves Simoneau, mesmo sendo o diretor do ótimo O Julgamento de Nuremberg, com Alec Baldwin no papel principal, foi com esse filme que seu trabalho chegou ao ápice. A história narra o destino de 4 personagens, interligados pela disputa política das terras dos índios Sioux, em plena época de expansão ao oeste nos Estados Unidos, ambos traçados de uma forma irretocável: Charles Eastman (Adam Beach), que apoiou os direitos indígenas; Touro Sentado (o impressionante August Schellenberg), chefe Lakota e orgulho de seu povo, que recusou se submeter às políticas do governo desenhadas para acabar com a identidade cultural indígena; e o senador Henry Dawes (Aidan Quinn, que eu nuca vi fazer alguma coisa abaixo da média), que foi um dos arquitetos do governo para a criação de uma política de relacionamento entre brancos e índios, e Elaine Goodale (Anna Paquin, sem comentários), professora que trabalha com Eastman pela melhoria da condição de vida dos Sioux. Até aí o que já vale a pena é o duelo de interpretações entre o talentoso elenco, mas o filme vai muito além, é um daqueles filmes que conseguem invadir no fundo de nós, telespectadores, os mais profundos dilemas, de tecnologia exacerbada, do direito à cultura alheia, da liberdade, do livre-arbítrio, e da sociedade que só pensou nas riquezas das terras Sioux, e culminou em um dos maiores genocídeos da história da humanidade. Para quem tem estômago, não há nada melhor que rever os conceitos da forma mais sofrida possível.

1° Lugar: Warm Springs

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É o filme mais antigo da lista, e por ventura, um dos primeiros que me fizeram admirar o mundo dos telefilmes, que antes mais pareciam um produto do ego dos diretores famosos, mas hoje pode ser considerado praticamente o contrário. Um telefilme pode ser considerado de antemão um dos filmes mais corajosos do diretor. No filme em questão, Warm Springs narra de uma forma original e corajosa o caminho de Franklin Delano Roosevelt, interpretado com brilhantismo por Kenneth Branagh (indicado ao Oscar por Henrique V, Hamlet, etc.) , que após ficar paraplégico, vai tentar a sorte nas fontes térmicas de Warm Springs acompanhado de sua mulher, Eleanor, interpretada por Cynthia Nixon (Sex And the City). A genialidade da obra é alcançada quando o roteiro da pouco conhecida Margaret Nagle se envolve a fundo com a doença do político, a poliomelite, muito preconceituada na época, considerada desde castigo divino até doença mental. Esquecendo o patriotismo bobo que pode afastar o telespectador de uma pesquisa mais a fundo do filme, a história é sobre as dificuldades, o preconceito e a determinação, que poderia ser minha, ser sua, mas é de um presidente que adotou a “Doutrina do Grande Porrete” como lema de governo. Simplesmente inesquecível.

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3 Comentários
  1. malu permalink

    Eu vi este filme, e também gostei muito…confesso que quando me dei conta que era sobre a vida do FDRoosevelt, quase troquei de canal, mas resolvi conferir e não me arrependi. Realmente voce tem razão!!!
    Beijos
    malú

    • Pois é, sou um dos maiores críticos dos filmes patriotas que circulam pelos E.U.A., mas “Warm Springs” me surpreendeu por completo. Inesquecível mesmo.
      Bjs

  2. Já tinha visto essa lista há alguns dias atrás, mas só agora estou comentando. Ainda não vi muitos desses telefilmes, mas “Recount”, “Grey Gardens” e “Prayers for Bobby” são mesmo uma maravilha. Também gosto muito de “24: Redemption” e “Bernard and Doris”, mas não a ponto de entrar num top 10.

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