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V

5 05UTC dezembro 05UTC 2009

É inegável que perto de FlashForward, V parece Battlestar Galactica, e tanta badalação com o nome de Elizabeth Mitchell no elenco manteve uma certa esperança na produção. Não me arrependi ao final do quarto episódio e último do ano, mas quase desisti antes mesmo do segundo. Por quê? Porque a 1ª versão de V de 1984 e essa de 2009 tem uma coisa crucial em comum. Ambas são mal-feitas.

Vamos ser francos, colocar uma história com tantas nuances que abordam a fé, o instinto de sobrevivência, conspiração e etc, não é uma missão fácil, mas nas mãos de Yves Simoneau, que dirigiu o ótimo Bury My Heart at Wounded Knee, me surpreendi com a afobação e pobreza do piloto, que foi praticamente salvo pelos ótimos efeitos especiais (embora a nave seja bem fake) e o talento do elenco. Os personagens em um primeiro olhar não são nada carismáticos, os diálogos são previsíveis, o ritmo é agitado demais e no fim do episódio a vontade de ver o próximo é mínima.

Embora bem interpretada, a personagem principal é uma canastrona de carteirinha, que de um em um minuto solta uma frase de efeito, ou foge de alguma emboscada, ou está lutando contra alguém, ou dando lição de moral no filho-mala. E pra piorar, ela se une com um padre mais canastrão ainda, que (lógico) sabe lutar, e (lógico) serviu o exército no Iraque, para que sua força não seja um argumento vazio.

Pois bem, depois do ruim piloto, a série continuou errando no segundo episódio, principalmente no personagem do filho da Erica (Elizabeth Mitchell), que consegue ser a coisa mais ridícula do ano, mesmo com o Shakespeare Apaixonado de FlashForward, e o Peter Pan de Friday Night Lights. Sério, o menino consegue reunir todos clichês adolescentes do mundo em um só personagem. Ponto negativo também para o V traidor, que poderia ser uma trama a ser mostrada em uma season finale, mas até agora a única coisa interessante sobre ele é a 5ª coluna, mostrada no terceiro episódio, e um possível bebê híbrido (Battlestar Galactica, again???) de sua esposa (que parece estar sempre cansada) no quarto episódio.

Mas chega de falar dos pontos fracos, porque a série tem muita coisa boa, que quando é aproveitada, garante momentos impressionantes. Um deles é os efeitos especiais e a fotografia, que fugiu do lugar comum com cenários altamente brilhantes na nave, como símbolo de tecnologia (Minority Report style), mesmo que o branco ainda impere na cenografia, e a edição de cenas, e ainda reservou ótimos visuais como as naves alienígenas a galáxias de distância da Terra no quarto episódio.

Outro ponto positivo é o jornalista Chad Decker, que representa o poder da imprensa sobre as pessoas, e mesmo não sendo uma ótima interpretação, traz algumas reflexões. Mas o grande destaque é mesmo o núcleo dos “visitors”, mas especificamente, a líder Anna, que passa uma imagem nítida de vilão de novela das oito, mas com um charme (brasileiro?) encantador, que às vezes até torço para que suas artimanhas dêem certo. O papel caiu como uma luva para a atriz Morena Baccarin, que interpreta com lucidez, um pouco mecânico, mas totalmente compreensível.

Pena que a série exibirá somente os quatro episódios no ano, pois a vontade de ver o próximo episódio (com lagartos e canastrices inclusas) é enorme!

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5 Comentários
  1. “É inegável que perto de FlashForward, V parece Battlestar Galactica” Essa frase foi perfeita! Hehehehe
    Tô gostando muito da série até o momento, acho que está cumprindo o que prometeu e sem dúvida é uma boa surpresa na temporada – especialmente entre as novas séries.

  2. Thomaz Jr. permalink

    Tô vendo V e a série é empolgante. Dito isso:

    1º Como assim um Estado deixa sua população ter seu corpo manipulado por alienígenas. Qualquer tratamento de saúde mesmo que terráqueo passa por rigorosos processos. Sem contar que os V, dominando tecnologia superior, poderiam implantar microchips, envenenar, sugar nosso cérebro e por de um V…

    2º Falando em deixar. Agora os V tem VISTO. Achei uma bofetada com luvas de pelica na América Latina.

    3º Agora, prêmio sem noção vai para o motoqueiro que partiu para o “vamos ver” com a V. Será que ele já conhece anatomo-mofofisiologia de uma V. Tipo ele não pensou nem um pouquinho nas possíveis “SURPRESA!”. Realmente o “escolhido” é o cara mais desesperado por sexo na Terra. Até o Howard Wolowitz abriria mão de suas cantadas baratas numa friagem dessas.

    4º Eles não estão na cola da mãe do escolhido? Como se não fosse clichê suficiente o “escolhido” ser filho de um membro da resistência, ninguém está na cola dela. Pois ela está “aprontando poucas e boas”.

    5º Ah! E tem mais, como assim nem um grupo de cientistas terráqueos está estudando os V? Isso ficou bem claro, no episódio 3, que “o corpo” deles está em segredo.

    Enfim, até os tupi-guaranis deram mais trabalho para serem dominados pelos europeus.

    • V tem alguns errinhos bobos como você listou, mas também traz algumas reflexões muito interessantes, como o lance do visto e da fé. Parece ser promissor.

      • Thomaz Jr. permalink

        Eu tbm espera questões mais reflexivas em V assim como em True Blood. Porém, nos 4 episódios, não vi a história evoluir nesse sentido. E somando ao meu desapego com sci fi, vou acabar “trocando” V por mais uma sitcom. rs

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