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MSD: 4° LUGAR: The Wire (2002-2008)

1 01UTC março 01UTC 2010

Criador: David Simon

Emissora: HBO


Então, eu já disse que escrever sobre “The Wire” é muito difícil, então se a coisa não sair tão boa assim, perdoem-me. Enfim, o que faz de “The Wire” uma série difícil de escrever sobre, é a capacidade que ela tinha em se tornar especial por uma coisa que já está pra lá de ultrapassada: a violência como forma de analisar os personagens. Você já viu isso em “OZ”, já viu em “Criminal Minds” (ai, preciso continuar a ver “Criminal Minds”), já viu em “The Closer”, em “The Shield”, etc, etc, etc. Então, o que faz da violência de “The Wire” especial? Ora, porque é a melhor violência falada da história da TV!

Exemplo: em uma cena do piloto da série, eis que um corpo é achado. O detetive Jimmy McNulty interroga uma testemunha que conhecia a vítima. O que as séries que eu citei acima fazem é na maioria das vezes, implicitar os possíveis suspeitos, dando uma abertura maior para o interesse do telespectador, mostrando com mais intensidade o drama dos envolvidos na cena (no caso de “The Closer”, por exemplo, o caso de algum fato da vida de Brenda ser mostrado no início do episódio, nos faz, na cena onde o corpo é achado, olhar exatamente para a expressão facial de Brenda, não?). Já em “The Wire”, o detetive Jimmy McNulty propositalmente não é um personagem de muita intensidade, não sofre e nem finge sofrer, apenas vê o “presunto” e interroga a testemunha. Aí está o pulo do gato: eis que na cena, Jimmy e a testemunha, um desses moleques americanos que vivem na rua jogando basquete, travam um duelo de falas geniais sobre o nome engraçado do morto (que, putz, eu não lembro), sobre como o morto vivia, e porque o morto morreu. E pronto. Até o fim do episódio, várias pontas são abertas, mas nada disso realmente importa a um primeiro instante, porque o que dá gosto mesmo de ver a série são os pequenos diálogos e os pequenos detalhes. É outro nível de TV, com certeza.

Outro aspecto bastante interessante da série diz respeito aos personagens fundamentais da história. Já que é uma série que retrata a decadência americana espelhada na violência da cidade de Baltimore, é natural que não só apareçam bandidos, assassinos, ao passo que cada nó dessa decadência é delineado, vemos aparecer na série vários personagens ligados a outras partes da cidade, como a zona portuária, a escola, a prefeitura, etc. Vários personagens que contribuem para uma só mensagem, que é (pra mim) a mais forte entre todas as séries: não há redenção definitiva para quem se envolve no crime.

E é curioso reparar como “Lost” e “The Wire” se separam no seu estilo a partir da reportagem. Na famosa ilha de “Lost”, todos os personagens são pessoas em busca de uma afirmação pessoal, e caminhar de encontro com a própria felicidade para eles significa se redimir de todos os erros e abraçar uma nova realidade, na ilha, onde ninguém conhece ninguém de verdade. Já nas ruas de Baltimore, no exato momento em que quatro adolescentes (Namond, Dukie, Michael e Randy) são mostrados como a semente do “mal” na cidade, a própria série já trata de mostrar que a partir dali, não há mais volta aos coitados. A partir da temporada, o destino desses adolescentes é mudado de uma forma drástica e realista, e mesmo que Namond tenha em tese se livrado de tal praga, ele é o vai guardar as marcas mais doídas de seu destino imutável.

Bom, isso é “The Wire”, às vezes tensa, às vezes poética, às vezes estática, mas sempre brilhante.

Episódios Prediletos: (3×11) Middle Ground, (4x13) Final Grades, e (5×12) Late Editions.

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