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Análise de Temporada – Mad Men

12 12UTC maio 12UTC 2010

“Mad Men” é uma série que pode se vangloriar de nunca ter tido uma fase irregular, ou apenas um momento onde as coisas não funcionam, como praticamente todas as séries já tiveram (“Six Feet Under”, por exemplo, teve uma quarta temporada muito aquém do esperado, assim como a terceira temporada de “The West Wing”). Até agora foram três temporadas em completa sintonia entre roteiro, direção e atuações. Comparando temporada por temporada, talvez eu até prefira a segunda, com a ascenção das personagens femininas e os embrólios emocionais de Don Draper, mas, vendo esse cenário de agora, com Lost pra terminar e Breaking Bad brilhando muito, mas ainda no meio da temporada, eu afirmo: LÁ VAI MAD MEN GANHAR TUDO DE NOVO!!!!!

Ok, vai ser bem mais difícil, com várias séries pomposas e de moral concorrendo, mas não dá pra negar que o resultado final da temporada foi mais uma vez, excelente. A série consegue abrir e fechar situações com uma magestria pouco habitual, e ainda consegue ater um fato isolado que consegue nutrir um desejo maior de continuar vendo a série, mesmo que o cliffhanger final nem seja lá essas coisas. Vamos por partes.

Don continua o mesmo de sempre, mostrando uma destreza no campo dos negócios, mas uma grande instabilidade emocional. Nesta temporada, mesmo que Jon Hamm ainda não me convença de que é o ator que o personagem pede, Don teve sua instabilidade aumentada e analisada mais a fundo, com sua crise definitiva no casamento com Betty, um caso extra-conjugal, e seu “Dick Whitman” revelado à (agora) ex-mulher. “Seven Twenty-Three” e “Wee Small Hours” são episódios que mostram bem a instabilidade do personagem, enquanto “The Gypsy and the Hobo” é o marco definitivo do personagem enfrentando seu passado de menino pobre.

Já Betty, mostra que o que ela quer mesmo, desde o início da série, é um homem que a proteja e a coloque no centro das atenções, coisa que Henry Francis fez todas as vezes que estava em cena. Mesmo que seu romance com o político tenha acontecido muito rápido e sem muitas perspectivas, ela, quando vê o marido derrotado e frágil por ter seu segredo descoberto, não pensa duas vezes e embarca com o novo amor, levando os filhos embora e em busca da separação – e eu acho que sou o único que considera January Jones a vencedora absoluta daquele duelo de atuações com Jon Hamm em “The Gypsy and the Hobo”. Embora que o melhor momento da personagem e da atriz seja em “The Fog”, onde Betty tem o terceiro bebê, é notável como Betty não se deixa abater por qualquer obstáculo que surja em seu caminho antes de conseguir o que quer, como visto quando seu pai morre, e quando o presidente Kennedy é assassinado. Como Don bem disse, uma vadia.

Peggy e Joan são personagens que ficaram um pouco sumidas durante a temporada, mas tiveram uma importância fundamental para o fim deste ciclo. Enquanto Peggy é assediada (em todos os sentidos da palavra) por um outro empresário a sair da Sterling Cooper, Joan, que vinha de um fim de temporada trágico, se reconstrói rapidamente do trauma sofrido pelo companheiro, mas tem de enfrentar as frustações do noivo que se mostra um completo derrotado, complicando seriamente sua vida profissional.

Mas o bom mesmo dessas duas personagens são as atrizes que as compõe. Elisabeth Moss aparece absoluta em cada cena que Peggy tem destaque, sendo em “The Arrangements”, no episódio em que ela reencontra a mãe, a atuação mais notável da atriz em toda a série. Já Christina Hendricks cresce a cada temporada, irretocável nas expressões faciais da personagem que “sofre calada”, mas tem um temperamento forte maquiado pela sociedade da época – em “Guy Walks Into an Advertising Agency”, a atriz está fabulosa.

Outros personagens, como Roger, Pete, Sal e Lane Pryce, ganham desenvolvimentos menores, mas significativos, pois a série sempre busca discutir a situação social da época da série (anos 60) por meio desses personagens, mas também há uma forte análise psicológica que os costumes impõem a eles, como a separação de Roger e seu novo romance, a ganância e o egocentrismo de Pete, o homossexualismo de Sal (que teve um futuro mal-explicado na série), e os ideais de Lane Pryce.

Aliás, para entrar no assunto do fim, devo ressaltar a enorme felicidade do roteiro em colocar a “invasão britânica” na Sterling Cooper, que gerou um clima de tensão na empresa e culminou no desmembramento de Roger, Don, Bertram Cooper e Lane Pryce da empresa, e a criação de uma nova firma do zero, a “Sterling Cooper Draper Pryce”. Esse é o gancho que a série deixou para a quarta temporada, que mostrará os desafios dos novos sócios em voltar ao ramo e recuperar os clientes.

Por fim, a parte técnica da série, que sempre foi competente, se arriscou mais e acertou em quase todas as tentativas de inovação. Embora eu demorasse para engolir alguns cortes rápidos e algumas escolhas no mínimo estranhas da direção, como os cortes bruscos nos episódios “The Arrangements” que tiraram grande parte da emoção que a notícia da morte do pai de Betty traria, e o episódio “The Fog”, com o corte estranho do rosto de  Sally ainda no início, e os delírios de Betty no hospital, que soariam forçados caso January Jones não contornasse a situação, foi ótimo ver episódios como “Seven Twenty-Three” e “Guy Walks Into an Advertising Agency”, onde o aspecto técnico de montagem, fotografia, maquiagem e etc. contribuem para uma apreciação melhor do que foi mostrado.

Média da Temporada: 8,7

MVP: Elisabeth Moss, Jon Hamm, January Jones, Christina Hendricks

Melhor Episódio: (3×10) – The Gypsy and the Hobo

FYC: Melhor Ator – Jon Hamm como Don Draper

Melhor Atriz – January Jones como Betty Draper

Melhor Ator Coadjuvante – John Slaterry como Roger Sterling

Melhor Atriz Coadjuvante – Elisabeth Moss como Peggy Olson

Melhor Atriz Coadjuvante – Christina Hendricks como Joan Holloway

Ator Convidado – Jared Harris como Lane Pryce

Breakthrough Performances:

Elisabeth Moss – (3×04) The Arrangements

Christina Hendricks – (3×06) Guy Walks Into an Advertising Agency

January Jones – (3×05) The Fog

Jon Hamm – (3×07) Seven Twenty-Three

John Slaterry – (3×11) The Grown-Ups

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One Comment
  1. Gosto muito das demais temporadas, mas para mim esse foi o melhor ano de “Mad Men”. Teve ao menos quatro episódios sensacionais, mas acho que fico com “The Grown-Ups”, “Guy Walks Into an Advertising Agency” e “The Gypsy and the Hobo” no top 3.

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